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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Amor ou Abuso?

"Onde acaba a protecção e começa o desrespeito?" in Crónica Feminina de Inês Pedrosa





Li um artigo onde a autora comenta uma peça de teatro que viu "Blackbird" de David Harrower e tratava-se de um encontro entre um homem de 55 anos e uma mulher de 27 que tinham vivido uma "relação apaixonada 15 anos antes". Fazendo as contas, a mulher adulta em questão, 15 anos antes, tinha apenas 12 anos, ou seja, era menor quando iniciou a relação com um homem muito mais velho. A paixão era assumida por ambos os sujeitos e também consentido tendo em conta que ambos eram sãos mentalmente, penso eu. O Homem refere na peça que foi a única vez que fizera sexo com uma menor e numa discussão acesa ambos atiram um para outro razões daquela paixão e momentos de acusações, amargura e mágoas no desenlace da história.

Penso que o ponto fulcral do texto centra-se na maneira como foi resolvida a questão… Os pais da criança, fizeram queixa do abusador, este foi preso e obrigado a mudar de cidade, vida e identidade. Porém, a Una (mulher desta relação) diz que por causa dele foi “transformada num fantasma (as pessoas falavam de mim como se eu não estivesse presente. Não me deixavam falar”)… E o Ray (o Homem em causa) diz que ela o tinha “seduzido, e até ser mais forte do que ele”.

Eu pergunto-me a mim e a vocês: O que pensam sobre isto??

Eu compreendo perfeitamente a reacção dos pais e numa circunstância semelhante reagiria de modo parecido…mas até que ponto deve ser ouvida a opinião da criança? Neste caso, creio que a verdade que pudesse sair da boca daquela rapariga não fosse boa de se ouvir, principalmente de os pais ouvirem, mas desconfio que houve negligência por parte dos pais e se calhar até um certo tipo de abandono de guarda que levasse a criança a sentir-se carenciada afectivamente e um afecto de um estranho ser bem acolhido por esta. Óbvio que este tem culpa no cartório e o que fez não foi correcto, mas não é culpado por tudo. Não foi uma pura violação.

Para mim a criança deve ser ouvida em qualquer circunstância, pois é um ser humano e um cidadão e não um objecto ou propriedade dos pais. Por mais cuidados e providências que estes forneçam, o Amor, assim como a Protecção, também é preciso de dar a uma criança…Para além disso, com 12 anos uma pessoa já tem consciência da realidade, ou pelo menos alguma, tem sentimentos, personalidade própria e tem noção das acções que realiza, assim como das consequências desse acto. Até porque nenhum ser humano é igual a outro, independente da idade e/ou do género ser o mesmo. Será que os adultos podem abusar do poder de serem pais e desrespeitar e rejeitar a opinião dos filhos? A partir de que idade ou ocorrência é que podem dar palpites sobre a sua própria vida?

Não quero dizer com este comentário que os pais não tenham direitos sobre os seus filhos, quero dizer que para além deles as crianças também o têm.

A adolescência é um período critico, revoltante com a procura infinita de ganhar autonomia e independência de qualquer maneira, mesmo afastando ou renegando aqueles que nos amam e que também amamos e nos querem proteger… mas o erro, para mim, é uma das melhores formas de aprender. Eu sei, à erros e Erros.

Pois bem, a verdade é que “Quinze anos mais tarde, ela pega no carro e vai à procura dele. São agora, para todos os efeitos, um homem e uma mulher. Pela primeira vez livres do poder dos outros. Mas não livres do que esse poder fez deles”.

Valeu a pena não ter dado ouvidos à criança na altura devida? E a relação com os pais como ficou? Não sei… mas é um caso a pensar… Como reagirias se fosses a criança? Ou os pais?

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